Faltando poucas semanas para o PAS, não tive outra escolha a não ser dar aulas expositivas sobre o conteúdos dos dois livros - O discurso do método e o Crepúsculo dos Ídolos. Era uma questão de pragmatismo: propiciar aos alunos o mínimo de conhecimento necessário para que eles pudessem se sair bem na prova. Ia ser chato pacas... E foi!
O apelo ao PAS não comoveu a maioria dos alunos, que, diante da aula para lá de desinteressante, fez o que lhes é natural: desligou-se completamente do que estava acontecendo na sala. Tive, inclusive, uma fileira inteira de alunos dormindo ao mesmo tempo (uma "soneca sincronizada", brinquei). Em outra turma, que normalmente já não prestava atenção, fiz uma proposta mais ousada. Daria aula somente para aqueles interessados, que deveriam sentar-se perto de mim em uma roda, enquanto o restante da classe ficava livre para fazer o que quisesse. Apenas 5 ou 6 alunos vieram (de mais de 30).
O que me deixou mais puto foi ver que, em algumas provas do PAS, simplesmente não havia nenhuma questão sobre Descartes. Se tá no edital, deveria ser obrigatório cair alguma coisa. Afinal, se eu fosse aluno, ficaria indignado e pensaria duas vezes no ano seguinte se iria perder meu tempo lendo um livro inteiro à toa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário