No planejamento do professor titular da disciplina, o 4º bimestre estava reservado para os livros exigidos no PAS: O discurso do método (2º ano) e Crepúsculo dos Ídolos (3º ano). Achei a proposta perfeita, pois possibilitaria não só o aprofundamento no pensamento dos autores como também o contato direto com os argumentos utilizados.
Seria também a oportunidade perfeita para propiciar aos alunos uma experiência de leitura. Ao contrário do professor titular, que traria em um Power Point trechos selecionados do texto para serem lidos e debatidos na sala, eu combinei com os alunos que eles fariam a leitura integral do texto. A ideia era que, a cada aula, eles lessem em casa partes do texto e escrevessem um diário da leitura, não com um resumo das ideias ou coisa parecida, mas que registrassem a experiênca mesma da leitura: o que eles sentiam diante do texto, as dúvidas, as palavras desconhecidas, etc.
Como forma de incentivá-los e conscientizá-los da importância da leitura, dediquei uma aula inteira a discutir o tema. Levei dados da pesquisa Retrato da leitura no Brasil, para, a partir daí, promover o debate sobre a nossa relação cotidiana com os livros, mostrando os autores preferidos, a frequência de leitura, etc. Também exibi o trecho de uma fala do professor Clóvis de Barros Filho que, de uma maneira bem provocativa, tenta exortar seus alunos a lerem umas páginas de Kant (clique aqui para assitir).
No melhor estilo professor-que-dá-tudo-mastigadinho, citei todas as possibilidades de conseguir o livro: dei o preço médio nas livrarias, fiz uma pesquisa nos sebos próximos à escola, que possuíam os dois títulos a preços acessíveis, indiquei a biblioteca da própria escola, etc. Além disso, mandei uma boa edição em PDF para ser distribuída eletronicamente entre os alunos.
E tudo isso para nada! Dias antes do início da nossa experiência de leitura, irrompeu a greve dos professores, que durou cerca de 1 mês. Quando retornamos, já estávamos próximos demais das provas do PAS para seguir a proposta original. Descartes e Nietzsche continuariam repousando no aconchego de suas estantes.
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