quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Bola dentro


Para compensar o fracasso com Kant, a introdução a Nietzsche foi bem legal. A aula tinha por objetivo contar a vida do filósofo alemão e apontar algumas linhas mestras de seu pensamento. Fazendo apelo à imaginação e ao instinto natural de fazer palhaçada dos alunos, incubi eles próprios de efetuar a narrativa.


Pedi a minha namorada para recortar um bigode tão exdrúxulo quanto o de Nietzsche, feito com papelão e bombril. Da minha parte, preparei um texto curto, de 1 página, dividido em 5 parágrafos, contando os principais fatos da vida do criador de Zaratustra. Em duplas ou grupos maiores, os alunos tinham que ler o texto e encenar os episódios por meio de pantomimas. O responsa´vel pelo papel principal precisava, claro, portar o estiloso bigode.

Os alunos entraram fácil na brincadeira e, bem ao estilo adolescente, exageram o quanto puderam cenas como a da dupla recusa de Lous Andreas-Salomé aos pedidos de casamento de Nietzsche ou do abraço ao cavalo que precedeu a sua imersão definitiva na loucura. A sala prestava atenção e ria junto.

Partindo daí, foi fácil prender a atenção deles para dar uma visão geral do pensamento nietzschiano. Usei como gancho o fato de que, com uma vida daquela, marcada pela doença, pela rejeição e pela pobreza, seria natural esperar do filósofo uma atitude de desprezo pela vida. Mas, como sabemos, ocorre justamente o contrário. Daí, passei por conceitos como eterno retorno, apolíneo e dionisíaco, vontade de poder, etc. Saí da sala com a sensação de que a estratégia havia funcionado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário