Tinha duas aulas para abordar Kant dentro da perspectiva epistemológica. Só a ideia de passar duas aulas inteiras falando para adolescentes de 16 anos sobre o filósofo de Konigsberg me dava arrepios, pois perigava até mesmo eu dormir com tanta chatice. Planejei então uma atividade diferente: no primeiro encontro, eles se dividiram em grupos e, com base em um trecho do livro, teriam que compor uma música ("cante com o Kant", era o trocadilho que animava a proposta) explicando as principais ideias, a ser apresentada na semana seguinte. Com isso, não só evitava a aula expositiva, como também forçava os alunos a lerem e compreenderem o texto por si mesmos, além de trabalhar a criatividade deles.
Bem, deu tudo errado. Em primeiro lugar, a data da primeira aula coincidiu com a Semana de Ciências da escola, em que as aulas tinham carga horária reduzida (eu, claro, não havia sido avisado de nada disso, pois ninguém se preocupa em avisar o estagiário, né?). Assim, os alunos não deram a menor bola para a atividade que eu pedi, preocupados em terminarem seus trabalhos que seriam logo mais expostos. Para piorar, a atividade não "valia nota", o que, na linguagem dos alunos do Ensino Médio, significa algo como "essa é a última coisa que eu faria na minha vida".
Dito e feito. Poucos grupos se deram ao trabalho de fazer alguma coisa. E os que fizeram mostraram a já conhecida incapacidade de lerem e interpretarem um texto por si mesmos ou, pior, de não entenderem e pesquisarem por si próprios. O resultado foi um desastre e duvido que alguém tenha saído dali com alguma ideia razoável do que pensava Kant. Mas, vamos combinar: tentar explicar a Crítica da Razão Pura para alunos de 2º ano é um pouquinho demais, não? Queria saber quem é o mágico que consegue...

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