terça-feira, 26 de maio de 2015

E a treta, enfim, rolou...

Sem querer me arvorar poderes premonitórios, mas se você for lá no post Do desespero à esperança, vai se lembrar da figura do aluno metido a malandro que me chamou a atenção, deixando a sensação de que ele ainda aprontaria alguma . Dito e feito. Mal chegamos à segunda metade do semestre e ele já foi expulso do colégio. Motivo: agressão ao professor de filosofia. 

O fato ocorreu durante a Semana Cultural, em uma das competições esportivas. Na versão do professor, que apitava o jogo, o aluno, ao ser substituído, jogou o colete no chão e saiu reclamando horrores. O docente chamou a atenção dele, pedindo para que pegasse o colete e demonstrasse mais respeito. O jovem não só não o pegou como se recusou a ir para a direção a mando do professor. "Quero ver quem vai me fazer ir", provocava. 

O aluno tentou sair da quadra, mas foi impedido pelo professor, que estava no portão, impedindo a sua passagem. Foi aí que começou a agressão. No relato do docente, o jovem lhe acertou dois socos, um no braço e outro no tronco, forçando a saída. Aconselhado a registrar um B.O., o professor desistiu ao saber que o aluno alegou que tinha sido agredido antes. 

O caso foi parar na direção, que aplicou uma suspensão de dois dias ao aluno. Indignado com a decisão, o professor articulou com os outros colegas e pediu a cabeça do agressor no Conselho de Classe, o que resultou na transferência do jovem para outra escola.

As agressões a professores não são inusuais no meio escolar brasileiro. Pesquisa da OCDE divulgada em agosto de 2014 coloca o Brasil como o país mais violento entre os 34 pesquisados. Pelos dados, 12,5% dos docentes ouvidos disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. 

Não sei do histórico do aluno e não tenho elementos para avaliar se a decisão foi acertada. Mas, se ela foi apenas uma forma de livrar-se do aluno violento, sem que nenhum tipo de trabalho pedagógico, psicológico e de assistência social tenha sido tentado, creio ter sido uma atitude equivocada. Se existe um lugar em que a sociedade deva tentar mudar comportamentos agressivos como esses, é na escola (até porque nós sabemos da incapacidade do nosso sistema sócio-educativo). Na minha cabeça, alunos como esse deveriam entrar numa espécie de programa de reabilitação, com a obrigação de participar de palestras, reuniões de grupo, terapia familiar, etc., sob pena de ter que prestar contas à justiça. É utópico demais ou você prefere encontrá-lo brigando por aí em portas de boate ou shows de sertanejo?  


Nenhum comentário:

Postar um comentário