O impulso inicial desse blog veio do estágio docente que estou cursando como parte obrigatória do curso de Licenciatura em Filosofia. Quero aproveitar a oportunidade para arriscar uma tentativa de relato antropológico dessa experiência conjugada com minhas reflexões sobre o ensino. Além disso, pretendo resgatar minhas memórias de estudante (um tema conturbado para mim) e colocar em questão o meu desejo de ser um professor melhor do que fui e de como fazê-lo.
Um princípio fundamental de qualquer observação honesta é o de se explicitar quem é o sujeito que se lança a tal gesto, permitindo ao leitor identificar os limites e o viés do olhar em questão. Sendo assim, vamos às apresentações: estou no 7º semestre de licenciatura da UnB em Filosofia. É a minha 2ª graduação: sou formado em Jornalismo pelo Ceub, com especialização em Teoria Psicanalítica e mestrado em Psicologia Clínica e Cultura (ambos na UnB).
O jornalismo nunca foi uma escolha minha, e sim, uma sugestão do meu pai, que é da área, e que acabei aceitando sem muita convicção. Na verdade, comecei ao mesmo tempo o curso no Ceub e a graduação em Letras na UnB. A chatice das aulas e a dificuldade em fazer amizades, no entanto, me fizeram abandonar a universidade, ao qual retornei pouco depois para uma nova tentativa, dessa vez na filosofia. Também não deu certo e, com um diploma de jornalista na mão, um certo talento para a escrita e as facilidades abertas por meu pai e pelos muitos amigos que fiz na faculdade, fui ser escravo do dead-line e fiz disso o meu ganha-pão, até encontrar na sala de aula, dessa vez como professor em cursos de Jornalismo, algo com o qual eu realmente me identificasse.
A parte da história que realmente me interessa aqui, no entanto, é a de como passei de estudante aplicado do 1º grau a um aluno relapso, que se esforçava apenas o necessário para não reprovar de ano. Cursei o então 2º grau entre os anos de 1992 e 1994 nos melhores colégios de Brasília da época - Leonardo da Vinci, Sigma e Objetivo - todos mais ou menos desinteressantes e tediosos. Quero tentar entender a minha experiência para poder me identificar com os alunos do estágio que vou encontrar.
O jornalismo nunca foi uma escolha minha, e sim, uma sugestão do meu pai, que é da área, e que acabei aceitando sem muita convicção. Na verdade, comecei ao mesmo tempo o curso no Ceub e a graduação em Letras na UnB. A chatice das aulas e a dificuldade em fazer amizades, no entanto, me fizeram abandonar a universidade, ao qual retornei pouco depois para uma nova tentativa, dessa vez na filosofia. Também não deu certo e, com um diploma de jornalista na mão, um certo talento para a escrita e as facilidades abertas por meu pai e pelos muitos amigos que fiz na faculdade, fui ser escravo do dead-line e fiz disso o meu ganha-pão, até encontrar na sala de aula, dessa vez como professor em cursos de Jornalismo, algo com o qual eu realmente me identificasse.
A parte da história que realmente me interessa aqui, no entanto, é a de como passei de estudante aplicado do 1º grau a um aluno relapso, que se esforçava apenas o necessário para não reprovar de ano. Cursei o então 2º grau entre os anos de 1992 e 1994 nos melhores colégios de Brasília da época - Leonardo da Vinci, Sigma e Objetivo - todos mais ou menos desinteressantes e tediosos. Quero tentar entender a minha experiência para poder me identificar com os alunos do estágio que vou encontrar.
Nunca estudei em colégio público - salvo uma única tentativa, nos anos iniciais da educação básica, que durou poucas semanas. Ao nos mudarmos para o Lago Norte, meus pais me matricularam na unidade da rede pública local. Um dia, meu pai foi à escola no horário de aula para entregar um documento e me encontrou sozinho no meio da rua - criança, tinha fugido do novo ambiente sem que ninguém percebesse. Foi o bastante para ele perder a confiança na instituição.
(continua)

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