A princípio, vou focar a observação em apenas duas turmas. Em poucas semanas, já ficou nítido o contraste entre elas. São turmas pequenas de 1º ano, com menos de 20 alunos, que tem aulas duplas de filosofia no meu dia de estágio na escola.
Vamos chamar a primeira delas de Turma D - a da decepção, do desinteresse, do desastre. É, segundo o professor, o problema do 1º ano da escola. São aproximadamente 15 alunos, mas, aparentemente, apenas 1/3 deles mostra algum interesse pelas aulas. No primeiro contato, me chama a atenção um aluno com corrente no pescoço e vários anéis, estilo gangsta, com aquele ar desafiador de malandro. Prenúncio de treta, como canta João Gordo no novo disco do Ratos de Porão.
Em comparação, a outra turma vira "E" - esperança, entusiasmo, empatia. O número de alunos é similar, mas a porcentagem dos interessados é bem maior. Tem até uma legítima CDF que se revela de pronto quando o professor pergunta como serão as avaliações do bimestre. A resposta vem de cor, correta em cada décimo de cada trabalho ou prova. Destoando do conjunto, apenas dois alunos (recém-transferidos da Turma D) que pertubam o ambiente com piadinhas, provocações, apelidos...
Vivi situação parecida no último semestre que dei aula em cursos de Jornalismo. Em um dia, me deleidava com uma das melhores turmas que já tive. Até o mais fraco dos alunos participava com alguma dedicação nos trabalhos e atividades desenvolvidos em sala. Havia cumplicidade, simpatia e admiração (mútuos), além da indispensável vontade de aprender. Até hoje, ainda recebo um ou outro elogio de um desses ex-alunos, de como eles aprenderam comigo a apresentar um seminário ou a preparar uma boa pauta.
O dia seguinte, no entanto, era o inferno. Uma turma de quase 40 alunos que, com raras exceções, não queria nada com nada. Não liam os textos, faziam os trabalhos nas coxas e reclamavam de tudo. Vocação zero para o jornalismo, que me tirava do sério com facilidade. As aulas eram verdadeiras sessões de tortura para mim e para eles.
É possível salvar turmas assim? Como? Eu não consegui (para dizer a verdade, eu nem tentei direito). O que a pedagogia nos ensina sobre isso? Taí uma pesquisa que tenho que fazer...

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