sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Partindo da experiência

Ainda no primeiro dia de aula, proponho aos alunos um debate para introduzir os temas que serão abordados: Descartes e o cogito para o 2º ano, uma aula complementar de Freud para o 3º. Para isso, elaborei as seguintes perguntas que deveriam primeiramente serem discutidas em grupo e, em sequência, com toda a turma. 

Para o 2º ano: 

1) Em uma escala de 0 a 10, como você classificaria a veracidade e a confiabilidade das informações que você lê e assiste na TV, no rádio e na internet?
2) Que fontes de informação você classifica como confiáveis? E as não-confiáveis?
3) Com que frequência você tentar verificar a veracidade de uma informação que você recebe, procura ou passa adiante? E como você procede?

4) Como podemos nos proteger de informações não-verídicas, boatos e trolagens?

A intenção dessas perguntas era propor uma reflexão sobre os graus de veracidade das informações que recebemos diariamente e da postura prática que adotamos frente a essa situação. O intuito era, claro, partir da experiência cotidiana para chegar ao início das Meditações de Filosofia Primeira e sua busca pelas verdades inquestionáveis. De forma geral, os alunos tinham posições bem extremadas (do tipo "não podemos confiar em nada") e, ao mesmo tempo, pouco faziam para lidar com essa situação (como, por exemplo, checar uma informação). As discussões foram até animadas, mas tenho dúvidas se serviu para fazer o link com Descartes. 
   
Para o 3º ano, a dinâmica era um pouco diferente: sortiei entre os grupos as patologias psíquicas mais comuns (Depressão, Anorexia/Bolimia, Transtorno Bipolar, Psicose/Esquizofrenia, Síndrome do Pânico, Drogadição (Dependência Química)) e as seguintes perguntas serviam para guiar o debate: Conhece alguém que tenha/teve – pessoa real ou ficcional? Quais são os sintomas? Como são tratadas? Tem cura?

Com base nessa experiência deles, começamos a falar de remédios, tratamento e do lado especificamente psicológico desses fenômenos. Foi a senha para falar de Freud e do início da psicoterapia (lembrando que o professor já havia dado uma aula sobre o pai da psicanálise). Quando falei da concepção da sexualidade como bissexual, uma aluna me perguntou sobre o que Freud dizia da homossexualidade. Pela sua expressão, percebi como o tema era importante para ela e os seus olhinhos brilharam quando expliquei que esse era apenas um destino objetal como qualquer outro. 

No geral, a primeira semana me pareceu bem promissora e saí com a sensação de que estava no caminho certo. Se isso era dar aula para o ensino médio, então a coisa não era tão ruim assim...


    


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