Dia de observar o professor em ação e constato que o script (como vimos no post anterior) é seguido à risca. Os primeiros 20, 25 minutos eram gastos no processo de escrever o conteúdo no quadro e a cópia do mesmo pelos alunos. Era um tempo mais solto, em que os alunos conversavam livremente. A explicação levava aproximadamente o mesmo tempo e começava com uma pequena rememoração da aula passada (uma boa ideia). A fala do professor era bem acelerada e não privilegiava o diálogo e a construção com os alunos. Era uma aula expositiva no sentido mais tradicional da palavra, com a participação discente restrita a eventuais dúvidas.
Na segunda parte da aula, era hora do exercício, escolhido do livro adotado pela escola (o Filosofando). Os alunos eram obrigados a fazer em sala e apresentar para o professor, que dava o visto (essas atividades valem cerca de 30% da nota do bimestre). Chamada no final e pronto. O mesmo tipo de aula foi dado para o 2º e para o 3º anos.
Em termos de comportamento, as turmas não apresentaram problemas, com exceção das conversas paralelas, que, no entanto, não chegavam a sair do controle. A relação com o professor parecia boa, com alguns alunos mostrando um certo grau de intimidade, fazendo brincadeiras e tal. Mas faltou a filosofia dar as caras, mexer com as pessoas, provocar dúvidas, debate, reflexão. Era como se tudo aquilo não passasse de uma obrigação, que foi cumprida meio automaticamente, sem demandar grande esforço ou envolvimento de nenhum dos lados. Eram aulas sobre Descartes (2º ano) e Freud (3º), mas poderia ser sobre, sei lá, a topologia do DF ou o funcionamento das mitocôndrias.

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