Serão duas manhãs inteiras de aulas para turmas de 2º e 3º anos por quase dois meses. São aulas duplas de 1h30 no total. Na primeira semana, reservo um tempo para conversar com os alunos. Começo contanto da minha experiência amarga no ensino médio para depois perguntar a eles o que estão achando do ensino, o quanto aquilo faz sentido, como é a escola, etc. Poucos conseguem ver algo mais do que um preparatório para o vestibular, tal como era na minha época.
A seguir, pergunto sobre o ensino de filosofia e o modo como as aulas são conduzidas. Tudo isso, claro, sem a presença do professor na sala, para não constranger ninguém. De modo geral, as turmas (com exceção de uma) reclamam da chatice das aulas expositivas e da falta de sentido dos conteúdos ministrados. Eles gostariam de ter mais debates, jogos e competições. Exaltam bastante um professor de história que os faz encenar determinados personagens e fatos. Alguns elogiam o próprio debate que está ocorrendo e dizem que isso não ocorre nas escolas particulares, que servem apenas para "treinar robozinhos que façam provas", nas palavras de um aluno.
Uma das minhas intenções com essa conversa é a de propor uma aula baseada na leitura prévia dos textos e o debate em sala. Sei que chegar e impôr tal metodologia seria um desastre e, com essa conversa, procuro pactuar com as turmas de 2º ano a leitura de algumas páginas do Filosofando referentes ao empirismo inglês para a próxima aula. Aparentemente, todos acolhem bem a ideia, mas a chance de dar errado é maior do que a de uma reforma ministerial conduzida pela Dilma e pelo Mercadante.
Já no primeiro dia de aula sinto o desgaste físico de dar aulas 5 horas seguidas no período de seca em Brasília. Na metade do período minha voz começa a falhar, graças, principalmente aos gritos recorrentes de "vamos lá, galera" e coisa parecida. Após a aula, começo a me questionar porque queremos tanto controlar os momentos de barulho e de silêncio na sala, como se só a voz do professor tivesse valor e liberdade. Anoto mentalmente que tenho que aprender a não querer ficar controlando o tempo todo as vozes que irão se impôr no ambiente. Difícil é pôr isso em prática.

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