quarta-feira, 1 de julho de 2015

O melhor ainda está por vir (eu espero)


O Estágio 1 chegou ao fim (calma, isso não significa o fim desse blog) e é hora de fazer um balanço. Voltar à sala de aula 20 anos após deixar o ensino médio é decepcionante, pois quase nada mudou. Há um abismo entre os alunos e o que é ensinado, falta sentido para boa parte daquilo que querem que eles aprendam. Por outro lado, não há o mínimo de esforço e de disciplina por parte dos discentes, e mesmo as habilidades mínimas como ler um texto, para que eles possam levar essa coisa de estudar minimamente a sério.

Relendo os posts do blog, noto que raramente falei dos momentos de “ensino” propriamente ditos. Foram poucos, e nada animadores. Eram aulas expositivas tradicionais (o “papai e mamãe” da relação aluno-professor), com o uso do Power Point, que exigia apenas dos alunos a complementação de uma sentença, tipo “Parmênides corresponde ao período.... (pré-socrático)”, cuja resposta estava no slide projetado. E o conteúdo nada mais era do que uma exposição simplificada do que já estava no livro, ou seja, se você fosse um pouquinho esperto, nem precisava prestar atenção: era só ler depois e boa.

O conteúdo também era broxante. Acho uma estupidez introduzir filosofia para o 1º ano focando os períodos da história da disciplina. O que poderia ser algo atraente pelo seu caráter questionador, por ajudar a refletir sobre aspectos fundamentais da realidade, vira uma narrativa burocrática de datas, nomes e temas. Lembro do professor, seguindo o livro da onipresente Marilena Chauí, explicando que o chamado período sistemático da filosofia antiga (leia-se Aristóteles) tinha entre os principais assuntos abordados a teoria do conhecimento. De que vale uma informação como essa se os alunos não sabem o que diabos é teoria do conhecimento?

Se a obrigatoriedade do ensino de filosofia no ensino médio for apenas para acrescentar mais uma disciplina fossilizada, com seus conteúdos mortos dados para serem decorados e, em seguida, esquecidos, sorry, mas não precisamos dela. Espero que no Estágio 2 do próximo semestre eu consiga ver (e colocar em) na prática algo bem diferente. Torçam por mim!


P.S.: o blog continuará no ar nesse período, antes do começo do Estágio 2. Stay tuned! 

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